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Espelho Acústico

Publicado em 03/10/2016 às 20h31

Os Espelhos da guerra

 

 Espelho acústico é uma tecnologia de dispositivo passivo, que serve para  refletir e concentrar ondas  de som em um ponto específico. Funciona como uma antena parabólica convexa de ondas sonoras e foi substituída nos campos de guerra, com a invenção e uso dos radares.

Espelho Acústico - East Yorkshire

Espelho de 4,5 metros , East Yorkshire. O tubo que continha o microfone pode ser visto na parte dianteira da estrutura

 
Espelho Acústico 2
 

    Antes de os radares serem inventados, principalmente na primeira e segunda guerra mundial, os espelhos acústicos parabólicos eram usados para alertar  as forças de defesa área, detectando aviões inimigos. Uma alternativa simples e extremamente eficaz, para escutar o som da aproximação dos motores das aeronaves inimigas. Durante a segunda guerra mundial na Inglaterra, vários espelhos tiveram sua construção iniciada, mas o projeto foi totalmente abandonado quando os sistemas de radares começaram a ser desenvolvidos, essas construções ainda permanecem intactas na costa inglesa.

 Os espelhos de Dungennes, conhecidos como ''orelhas de escuta'', são compostos por três refletores feitos de concreto. O sistema consiste de uma parede concava de 5 metros de altura, com 70 metros de comprimento, e mais dois pratos com 5 metros de diâmetro. Os Espelhos na verdade, funcionavam como amplificadores passivos, microfones eram posicionados nos focos dos refletores para que se fizesse possível a detecção auditiva das aeronaves inimigas, função que ficava a cargo de um "observador".

Espelhos de Dungennes

 

Dungennes


Os espelhos acústicos não tiverem um funcionamento muito eficaz após o aumento da velocidade dos aviões na década de 1930, esse fato os tornou muito pouco úteis. Além claro, do desenvolvimento dos sistemas de radares que os tornaram obsoletos.

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CABO FRIO | Prefeitura será obrigada a coibir poluição sonora

Publicado em 09/09/2016 às 20h41

CABO FRIO | Prefeitura será obrigada a coibir poluição sonora

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio da 1ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Cabo Frio, obteve na Justiça decisão que obriga o município a coibir, de forma imediata, permanente e eficiente, nos horários noturno e diurno, todas e quaisquer atividades que produzam ruídos sonoros acima dos níveis permitidos pela legislação vigente.
 
 
O juízo determinou à Prefeitura que, entre outras obrigações, disponibilize, no prazo de 15 dias, serviço de atendimento ao cidadão funcionando em horário integral para recebimento de reclamações relativas à poluição sonora, com fornecimento de protocolo para acompanhamento das medidas efetivamente adotadas, fornecendo ao Ministério Público relatório mensal; promova fiscalização nos estabelecimentos sem proteção acústica adequada, com controle especial a emissão sonora em locais especiais como hospitais, escolas, prédios públicos e zonas residenciais; e se abstenha de licenciar o funcionamento de casas noturnas, clubes, bares, casas de festas ou qualquer outro empreendimento que pratique atividades ruidosas sem que estejam dotados de isolamento acústico adequado.
 
Foi estipulada multa diária no valor de R$ 5 mil em qualquer hipótese de licenciamento de estabelecimento ou autorização para realização de evento em desconformidade com a legislação ambiental sobre produção excessiva de ruídos.
 
Nº do processo: 0026558-49.2015.8.19.0011.

Lei municipal não é cumprida

Sancionada em 1999, a Lei 1.484, que regulamenta o Artigo 160 da Lei Orgânica Municipal e que estabelece medidas de controle e fiscalização das fontes poluição sonora nas áreas urbanas no município de Cabo Frio não é cumprida sob a alegação de falta de estrutura e de material humano.
 
O inciso VII do Artigo 160 da Lei Orgânica diz que o município deve assegurar o direito à qualidade de vida e à proteção do meio ambiente, devendo controlar e fiscalizar as instalações, equipamentos e atividades que comportem risco efetivo ou potencial para a qualidade de vida e o meio ambiente. Já a Lei 1.484/1999, além de regulamentar os procedimentos de controle e fiscalização nos casos de poluição sonora, prevê penalidades como intimação para cessar a atividade, e retirada dos aparelhos ou instrumentos, interdição do estabelecimento, cassação do alvará de licença para localização e funcionamento, além de multa no valor de 200 a 800 UFIR;
 
LEI Nº 1484, DE 18 DE NOVEMBRO DE 1999.
 
REGULAMENTA O ART. 160, VII, DA LEI ORGÂNICA MUNICIPAL, ESTABELECE MEDIDAS DE CONTROLE E FISCALIZAÇÃO DAS FONTES DE POLUIÇÃO SONORA NAS ÁREAS URBANAS DO MUNICÍPIO DE CABO FRIO E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS.
 
CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
 
Art. 1º - Esta Lei regula os procedimentos e medidas de controle e fiscalização de instalações, equipamentos e atividades que comportem risco efetivo ou potencial para a qualidade de vida e o meio ambiente pela produção de sons e ruídos intensos, através de fontes fixas ou móveis, que caracterizem poluição sonora.
 
Art. 2º - Todos são obrigados à observância dos preceitos desta Lei quanto aos procedimentos e medidas destinados à preservação do meio ambiente ecologicamente equilibrado, incumbindo ao Poder Público Municipal garantir o direito ao sossego e ao silêncio nas áreas urbanas.
 
Art. 3º - Na aplicação desta Lei serão observadas as disposições da Resolução nº 001, de 08 de março de 1990, do Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA, e as demais normas pertinentes, em especial as expedidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, sobre o assunto.
 
SEÇÃO I
DOS ATOS E CONDUTAS LESIVOS AO SOSSEGO
E AO SILÊNCIO NAS ÁREAS URBANAS
 
Art. 4º - Constituem atos e condutas lesivos ao sossego e ao silêncio nas áreas urbanas:
 
I - Utilizar qualquer tipo de aparelho ou equipamento sonoro, instrumento acústico e outros engenhos que produzam ruídos ou sons de qualquer natureza, que pela intensidade de volume possam constituir perturbação do sossego público ou da vizinhança.
 
II - Fazer funcionar em estabelecimento comercial, industrial ou de serviços, aparelho sonoro, instrumento acústico, equipamento ou maquinaria fora dos limites e níveis de volume ou ruídos toleráveis estabelecidos pelas normas da ABNT;
 
III - Efetuar, em pontos fixos, ou através de equipamentos volantes, anúncio ou propaganda comercial por meio de aparelhos ou instrumentos de qualquer natureza que produzam ou amplifiquem som ou ruídos, sem autorização do órgão competente da Municipalidade;
 
IV - Perturbar o sossego alheio, provocando ou não procurando impedir barulho produzido por animal de que tem guarda.
 
SEÇÃO II
DA APLICAÇÃO DAS NORMAS E DA FISCALIZAÇÃO
 
Art. 5º - As disposições desta Lei aplicam-se:
 
I - aos estabelecimentos industriais ou de serviços, para os quais somente será concedida licença de localização, após verificada a adequação das instalações aos padrões de isolamento acústico, e às normas técnicas de controle de emissão de ruídos excessivos de máquinas e equipamentos;
 
II - aos restaurantes, bares, lanchonetes e similares, bem como às casas noturnas e centros de lazer, quanto aos níveis de emissão de ruídos produzidos por aparelhagem sonora e instrumentos acústicos;
 
III - aos templos religiosos de qualquer culto, no tocante à utilização de aparelhos sonoros, instrumentos acústicos e emissão de ruídos, inclusive quanto às práticas litúrgicas externas realizadas em logradouros públicos.
 
Art. 6º - Os estabelecimentos industriais ou de serviços cujas atividades sejam geradoras de ruídos, estarão sujeitos à inspeção e verificação periódicas pela fiscalização ambiental, mediante aferição dos níveis de emissão de ruído produzido por máquinas e equipamentos, na forma e nos prazos estabelecidos em regulamento.
 
PARÁGRAFO ÚNICO: Se da aferição das instalações, máquinas e equipamentos resultarem níveis fora dos padrões toleráveis, o órgão municipal de meio ambiente, poderá, justificadamente:
 
I - exigir modificações no projeto de instalação;
 
II - impor restrições quanto ao horário de funcionamento;
 
III - negar a licença por inadequação às normas técnicas pertinentes.
 
Art. 7º - Compete ao órgão municipal de meio ambiente, licenciar ou autorizar a instalação e funcionamento de qualquer aparelho ou equipamento sonoro destinado à divulgação ou propaganda, nos casos permitidos nesta Lei, bem como fiscalizar os níveis de emissão de ruídos, observada a legislação federal e estadual pertinente.
 
PARÁGRAFO ÚNICO: Tratando-se de estabelecimento comercial, industrial, ou de serviços, a respectiva licença para localização poderá ser cassada, se as penalidades previstas nesta Lei se revelarem inócuas para fazer cessar a conduta do infrator.
 
Art. 8º - Os servidores públicos municipais em geral, em especial os agentes fiscais de posturas e do meio ambiente e os componentes da Guarda Municipal são considerados agentes públicos permanentemente a serviço da vigilância ambiental, para os fins de fiscalização das normas e aplicação de penalidades aos infratores desta Lei.
 
SEÇÃO III
DAS PROIBIÇÕES EM ESPÉCIE
 
Art. 9º - É expressamente proibido nas áreas urbanas do Município, perturbar o sossego e o bem-estar público ou da vizinhança através de ruídos ou sons excessivos, de qualquer natureza, e produzidos por quaisquer meios.
 
Art. 10 - É proibido nas vias e logradouros públicos do Município, independentemente do nível de intensidade sonora, a utilização de aparelhagem de som instalada em veículo automotor, de propulsão humana ou de tração animal, para as finalidades de propaganda comercial ou divulgação de eventos, ainda que operada por controle remoto.
 
§ 1º - Por aparelhagem ou equipamento sonoro, compreende-se o altofalante, o amplificador de voz (megafone) e similares.
 
§ 2º - Excetua-se da proibição deste artigo a utilização de aparelhagem sonora instalada em veículo automotor para a divulgação de eventos religiosos, campanhas de interesse público ou anúncios fúnebres.
 
§ 3º - O veículo utilizado para as finalidades previstas no parágrafo anterior, deverá estar previamente autorizado para tal atividade pelo órgão competente da Municipalidade, na forma do regulamento desta Lei.
 
Art. 11 - A divulgação de eventos, religiosos e os anúncios fúnebres, quando autorizada através de veículo equipado com aparelhagem de som ou alto-falante, somente é permitida entre as 8:00 (oito) e as 22:00 (vinte e duas) horas, sendo proibida a utilização daqueles equipamentos em distância inferior a 200 (duzentos) metros.
 
I - das sedes dos Poderes Executivo e Legislativo do Município, das sedes dos órgãos do Poder Judiciário, dos quartéis e outros estabelecimentos militares;
 
II - dos hospitais e casas de saúde;
 
III - das escolas, bibliotecas públicas, templos de qualquer culto e teatros, quando em funcionamento.
 
CAPÍTULO II
DA RESPONSABILIDADE
 
Art. 12 - Considera-se infração a inobservância do disposto nesta Lei, nas demais normas legais e nas disposições regulamentadoras destinadas à defesa e preservação do meio ambiente quanto à emissão de sons e ruídos excessivos.
 
PARÁGRAFO ÚNICO: Responde pela infração quem por ação ou omissão lhe deu causa, ou concorreu para sua prática, ou dela se beneficiou.
 
SEÇÃO IV
DAS PENALIDADES
 
Art. 13 - Sem prejuízo das demais sanções legais cabíveis, as infrações às normas desta Lei serão punidas com as seguintes penalidades:
 
I - intimação para cessar a atividade, e retirada dos aparelhos ou instrumentos;
 
II - multa no valor de 200 a 800 UFIR;
 
III - interdição do estabelecimento;
 
IV - cassação do alvará de licença para localização e funcionamento.
 
Art. 14 - Na falta de licença para instalação e funcionamento de aparelho ou equipamento sonoro, será aplicada, além da multa, a medida administrativa de apreensão da aparelhagem e o seu recolhimento ao Depósito Público.
 
PARÁGRAFO ÚNICO: Em caso de reincidência as multas serão aplicadas em dobro.
 
SEÇÃO V
DO PROCESSO ADMINISTRATIVO
 
Art. 15 - O processo legal administrativo para a aplicação de penalidade prevista nesta Lei, será iniciado com a lavratura pela autoridade ou agente fiscalizador que houver constatado o fato, de auto de infração, do qual constará:
 
I - nome do infrator, seu endereço, bem como, os demais elementos necessários à sua identificação;
 
II - local, data e hora do cometimento da infração;
 
III - descrição da infração e menção do dispositivo legal ou regulamentar transgredido;
 
IV - penalidade a que está sujeito o infrator e o respectivo preceito legal que autoriza a sua imposição;
 
V - ciência do autuado;
 
VI - assinatura do autuado ou seu representante, e no caso de ausência ou recusa, de duas testemunhas;
 
VII - prazo para o recolhimento da multa, quando aplicada, caso o infrator abdique do direito de defesa.
 
Art. 16 - As eventuais omissões ou incorreções na lavratura do auto de infração não acarretarão nulidade do mesmo, quando do processo constarem os elementos necessários à identificação da infração e do infrator.
 
Art. 17 - O infrator será notificado para ciência da infração:
 
I - pessoalmente;
 
II - por via postal;
 
III - por edital, se estiver em lugar incerto ou não sabido.
 
§ 1º - Se o infrator for notificado pessoalmente e se recusar a exarar ciência, deverá essa circunstância ser mencionada expressamente pela autoridade ou agente fiscal que efetuou a notificação.
 
§ 2º - O edital referido no inciso III deste artigo, desde que se justifique economicamente, será publicado por duas vezes em jornal de circulação local, considerando-se efetivada a notificação 10 (dez) dias após a primeira
publicação.
 
SEÇÃO VI
DOS RECURSOS
 
Art. 18 - O infrator poderá oferecer defesa ou impugnação do auto de infração no prazo de 5 (cinco) dias, contados da ciência da autuação.
 
§ 1º - No caso de imposição da penalidade de multa, se o infrator abdicar do direito de defesa ou recurso, poderá recolhê-la com redução de 50% (cinqüenta por cento) do valor, no prazo de 10 (dez) dias úteis a contar da expedição do auto de infração.
 
§ 2º - Apresentada a defesa ou impugnação, as razões do recorrente, juntamente com a cópia do auto de infração serão submetidos à autoridade competente para apreciação.
 
§ 3º - Os autos do procedimento recursal serão submetidos à autoridade municipal designada pelo Chefe do Poder Executivo, para julgamento e decisão definitivos, a qual, na condição de última instância administrativa decidirá no prazo de 5 (cinco) dias.
 
Art. 19 - Esgotada a instância recursal administrativa; e havendo multa
pendente, o infrator será notificado para efetuar o pagamento no prazo de 5 (cinco) dias, contados da data do recebimento da notificação.
 
§ 1 º - A notificação para pagamento da multa será feita mediante registro postal, ou por meio de edital publicado na imprensa, se não localizado o infrator.
 
§ 2º - O não recolhimento da multa dentro do prazo fixado neste artigo implicará na inscrição do débito na dívida ativa, para cobrança judicial na forma da Lei.
 
CAPÍTULO III
DISPOSIÇÕES FINAIS
 
Art. 20 - O Poder Executivo, no prazo de 30 (trinta) dias a contar da publicação desta Lei, expedirá a sua regulamentação mediante decreto, que poderá estabelecer a gradação do valor da multa em relação à infração praticada.
 
Art. 21 - Os órgãos de fiscalização atuarão permanentemente no sentido de coibir o uso de aparelhos sonoros nos casos previstos nesta Lei, requisitando para tanto a participação da Guarda Municipal e, se necessário, a intervenção da força policial para fazer cessar a atividade ilícita.
 
Art. 22 - Os eventos especiais realizados em datas festivas do Município ou programados em razão do interesse turístico, em que se utilize aparelhagem de som instalada em pontos fixos ou em veículos, serão regulados por decreto do Executivo, que delimitará as áreas específicas e disporá sobre as condições de sua execução.
 
Art. 23 - Ficam cancelados os alvarás provisórios e as autorizações especiais anteriormente concedidas pelo Município para as atividades de propaganda ou divulgação sonora através de veículo e qualquer espécie.
 
Art. 24 - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
 
Art. 25 - Revogam-se as disposições em contrário.
 
FONTE:http://www.alessandroteixeira.com.br/2015/12/cabo-frio-prefeitura-sera-obrigada.html

 

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Entenda a Norma Acústica na NBR15575

Publicado em 04/08/2016 às 22h30

Parâmetros Acústicos da Nova Norma de Desempenho - NBR 15.575 - M.Sc. Eng.º Davi Akkerman - IV WAA

 

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Andamento das Normas de Acústica

Publicado por Pró Acústica em 03/08/2016 às 21h51

 

Uma mesa redonda reuniu os representantes da ABNT e da ProAcústica para uma troca de ideias sobre o andamento das normas de desempenho acústico. O debate técnico e político em torno das normas de acústica como NBR 10151, sobre ruído comunitário, a NBR 10152 sobre ruído interno, a NBR 16425, sobre ruídos de sistemas de transportes, repercutem no mercado e entre as empresas associadas da ProAcústica. Para levantar algumas questões o ProAcústica News reuniu o coordenador da comissão de Desempenho Acústico de Edificações da ABNT, Krisdany Vinícius Cavalcante, o coordenador do Comitê de Acústica Ambiental da entidade, Marcos Holtz, e o físico, ex-pesquisador do IPT, consultor e representante da ProAcústica para assuntos ABNT, Peter Barry,  numa teleconferência em São Paulo e Belo Horizonte.

Marcos Holtz, Krisdany Cavalcante e Peter Barry

O debate, as discussões, a publicação, consulta nacional e as revisões sobre as normas de acústica como NBR 10151, sobre ruído comunitário, a NBR 10152 sobre ruído interno, de fonte ferroviária (que deve ser reprovada) e aeronáutica, a NBR 16425, sobre ruídos de sistemas de transportes, repercutem no mercado e entre as empresas associadas da ProAcústica. Para levantar algumas questões o ProAcústica News reuniu o coordenador da comissão de Desempenho Acústico de Edificações da ABNT, Krisdany Vinícius Cavalcante, o coordenador do Comitê de Acústica Ambiental da entidade, Marcos Holtz, e o físico, ex-pesquisador do IPT, consultor e representante da ProAcústica para assuntos da ABNT, Peter Barry,  numa teleconferência em São Paulo e Belo Horizonte.

Krisdany Cavalcante - coordenador da comissão de Desempenho Acústico de Edificações da ABNTSegundo Krisdany Cavalcante, a partir de 2012, a forte demanda por normas criou, dentro da ABNT, a necessidade de organizar um comitê que unificasse as diferentes comissões de acústica – no comitê automotivo, de construção civil, argamassas e cimentos ou diferentes tecnologias. Em 2013, o volume de trabalho cresceu e mobilizou o grupo de pessoas do comitê, a Sobrac, as universidades e empresas de cada setor. Assim, naquele ano, foi implantado o Comitê de Estudos Especiais de Acústica, o CEE 196. Já existia uma comissão de desempenho acústico que pertence ao Comitê Brasileiro da Construção Civil que vinha discutindo a NBR 10151 e a NBR 10152. Com a publicação da norma de desempenho acústico residencial, houve uma mudança de paradigma que mobilizou os profissionais, empresas e entidades no setor da construção civil. A NBR 10152 foi aprovada para publicação em meados de junho último e a NBR 10151 segue para consulta nacional. A NBR 16425, sobre a avaliação de ruídos originados por sistemas de transportes, teve a parte 1 publicada e já é norma, a parte 2 está em consulta nacional e a parte 4 já terminou a consulta nacional.

Marcos Holtz - coordenador do Comitê de Acústica Ambiental da ProAcústicaA atribuição da norma técnica tem caráter voluntário mas como existe o código de defesa do consumidor numa demanda judicial sobre produto ou serviço, ocorre um questionamento no meio social que pode forçar o setor de acústica a procurar a elaboração de normas e, depois, a norma de certificação. Numa outra etapa, os produtos e serviços ligados aos imóveis, assim como os equipamentos, podem encaminhar a constituição de selos. Para Marcos Holtz, a compra e venda de um imóvel que atende à norma pode ficar numa situação desamparada pelo NBR 10151 se, a partir de um determinado momento, no local onde está implantado o imóvel, começa a passar um trem ou outros modais que podem prejudicar a abrangência da norma sobre ruído comunitário.

A proposta é criar um vínculo da NBR 10151 com todas as normas que estão sendo preparadas sobre transportes. Do ponto de vista jurídico, o legislador poderia mudar tanto uma resolução do Conama Conselho Nacional do Meio Ambiente como a lei municipal, mas não seria recomendável criar divisões porque o Conama considera esta norma como de parte única. Portanto, o setor pode optar por não alterar a estrutura da NBR 10151 para evitar que o Conama tenha de fazer uma revisão da norma.

Ocorre que algumas resoluções do Conama, da década de 90, estão desatualizadas e confusas. A ProAcústica poderia pressionar Brasília para rever essas resoluções? Para Krisdany Cavalcante, a preocupação é pertinente, mas tem de ser encaminhada com cautela para não prejudicar o debate técnico envolvendo todos os setores. No fórum do Conama, o debate assume um aspecto político que se sobressai sobre o viés técnico. Seria incorreto fazer isso antes de a norma estar pronta e revisada. Como o Conama toca na questão do ruído de construção civil que, por um jogo de palavras errado pode caracterizar a NBR 10152 para ruído interno para os edifícios construídos; ou, um jogo de palavras, na mesma frase, se trocar a referência da NBR 10151 para a NBR 10152, poderíamos entender que a NBR 10151 avalia a aplicação para ruído de obra da vizinhança. Na esfera do Conama não há debate técnico. Tem o interesse e o peso dos setores com representação política no Conama.

Peter Barry - físico, ex-pesquisador do IPT, consultor e representante da ProAcústica para assuntos ABNTO consultor Peter Barry lembrou que, em relação ao ruído, o setor de bares e restaurantes, junto com os vereadores, levou a discussão por um caminho decepcionante, mas na construção civil, o jogo foi diferente e houve até uma certa sensatez. Uma das primeiras diretrizes, recordou Barry, foi uma norma do IPT de 1974 que chegou a ser implementada e a funcionar. Mais tarde, o então prefeito de São Paulo queria pôr em prática uma legislação acústica. Embora ele tenha usado uma norma ISO, a revisão de 2000 deveria ter sido a implantação da norma de 1974, na visão de Barry. Só que ele saiu apenas com uma lei sobre a medição interna de ruído. Na Europa, existem entidades supranacionais que têm o poder de obrigar o cumprimento das normas.

Na opinião de Krisdany Cavalcante, o caso de São Paulo pode servir de referência para as outras cidades do Brasil. As leis municipais podem citar a NBR 10151 como critério para compatibilizar o uso do solo, o plano diretor e as faixas previstas para harmonizar com o interesse da saúde. O legislador municipal tem de lidar com as pressões de igrejas, bares, restaurantes e propaganda política em período eleitoral e o interesse econômico de financiamento de campanha se sobrepõe aos argumentos técnicos. Por isso, é interessante o Projeto de Lei 75/2013 Mapa do Ruído Urbano de autoria dos vereadores Aurélio Nomura e Andrea Matarazzo, para diminuir o barulho na cidade de São Paulo. Mas falta uma diretiva e a ABNT tem poder limitado. O papel da ProAcústica ganha relevância nesse trabalho de conscientização por parte das comunidades, com eventos como o Dia Internacional da Conscientização Sobre o Ruído, palestras nas Câmaras Municipais, conquista de espaço em programas de TV e na mídia.

Cavalcante salientou durante a teleconferência que, hoje, nada será aprovado na instância legislativa sem apoio ou a influência de assessores parlamentares. Os vereadores e deputados só votam se houver uma contrapartida, por isso é fundamental juntar a base, trabalhar com o setor público porque as demandas chegam às prefeituras, mas não alcançam o ministério público. As questões municipais merecem respeito. No Rio de Janeiro existem os ensaios de escolas de samba, em Salvador, o município precisa organizar o roteiro dos trios elétricos. Sem esse trabalho de base, a mobilização pelo silêncio perde força.

 

 

Original em :http://www.proacustica.org.br/publicacoes/artigos-sobre-acustica-e-temas-relacionados/o-andamento-das-normas-de-acustica.html

Categoria: Entrevistas
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Entreveista Com Régio Paniago Carvalho

Publicado em 31/10/2015 às 11h56

Arquiteto Régio Paniago Carvalho - Acústica Arquitetônica

(FONTE: http://www.vibranews.com.br/index.php?id=25)


Causos acústicos

Basta conversar alguns minutos com o arquiteto Régio Paniago Carvalho para ficar convencido de sua experiência e paixão pela acústica. Este sentimento, com certeza, mobiliza esse goiano (55 anos) a tocar seus projetos, nos quais combina base científica com extrema sensibilidade e perfeito domínio dos segredos da arquitetura. Formado pela Universidade de Brasília, iniciou sua vida profissional na implantação da então recém construída Radiobrás na Amazônia Legal na década de 70. Lá, enfrentou muitas dificuldades de acesso à informação especializada. Viu-se obrigado, então, a pesquisar a essência do comportamento acústico dos materiais nas suas várias formas de aplicação, conciliando os recursos naturais próprios de cada região com as necessidades das obras ali executadas. 

Na iniciativa privada, Régio projetou e forneceu consultoria para implantações de emissoras de rádio e televisão em Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Rio Grande do Norte e São Paulo. É autor do livro “Acústica Arquitetônica”, instrumento importante para nortear consultas teóricas e procedimentos práticos. A obra está sendo atualizada e será relançada breve. Atualmente, é diretor técnico da Arch-Tec (www.arch-tec.com.br), que executa projetos acústicos.  Atende Banco do Brasil, Banco Central do Brasil, SBT,Grupo Pão de Açúcar, Paulo Octávio Investimentos Imobiliários, HC Construtora S/A, entre outras empresas. Nesta entrevista exclusiva ao jornalista Ailton Fernandes, editor do Vibranews, analisa os principais assuntos do setor e conta interessantes causos acústicos.

P – Conte alguns causos que já enfrentou em sua atividade profissional?
R – Certa vez, fui chamado para resolver um problema acústico Banco Central, na sala de reunião do COPOM, no Banco Central. Lá, entre outras coisas, havia uma mesa enorme, com muitos assentos, e com um caixão sobre ela onde se conectavam microfones, caixas acústicas, etc. Tinha um microfone para cada assento. Entramos para corrigir o tempo de reverberação. Desligamos os microfones e as caixas acústicas. Resultado: todo mundo passou a falar e ouvir melhor, com muito mais conforto. Era só uma questão de tratamento acústico apropriado.

P – Tem lembrança de outro caso curioso?
R – Outro caso interessante envolveu um advogado e um promotor de justiça e foi parar nos tribunais. O advogado morava numa cobertura duplex e o motor da piscina, usado na troca de água, não produzia um barulho substancial, mas o processo vibratório do motor em funcionamento gerava, na sequência, ruídos de baixa frequência para o apartamento do promotor. O advogado não autorizava ninguém entrar no apartamento para ver a origem do barulho. Fui contratado pelo promotor de Justiça. Fiz um laudo minucioso, com aferições 24 horas a cada três horas, e detectei que a origem do barulho era o motorzinho da piscina. Tudo isso sem entrar no apartamento. Quando houve a audiência, o juiz acolheu o laudo e deu ganho de causa ao meu cliente. Aí, o advogado precisou fazer uma intervenção para resolver o problema.

P - Por falar em casos acústicos, como avalia a iniciativa da Vibrasom de promover o 3º Seminário Soluções em Tratamento Acústico, em São Paulo?
R -  É uma atitude louvável e deve ser apoiada por todos os profissionais do setor.

P - Como analisa as novas tendências para tratamento acústico no Brasil?
R – O ruído é um subproduto do progresso (e da ignorância também). Se de um lado existe um avanço considerado das construções de concreto armado; por outro, existe um retrocesso na questão de conforto acústico. Você pega os apartamentos mais antigos de São Paulo e veja se existe reclamação de barulho por parte dos vizinhos? Agora, nos edifícios novos, as reclamações são freqüentes e procedentes.

P – Por que isso acontece?
R – A relação entre a espessura da laje e o vão são impróprias. Ao longo do tempo, a laje foi diminuindo de espessura. Começou a se comportar como um tambor, uma caixa de ressonância, cuja função é de realçar ruídos de impacto. Quando você aumentar o vão, não se esqueça da laje.

P – Qual sua opinião sobre o nível dos profissionais do setor?
R – Hoje, tem muita gente boa. Não vou citar nomes, mas é um processo lento.Passa pela mudança na legislação e no comportamento dos consumidores. Por exemplo, uma construtora vende um apartamento de alto padrão. De repente, o morador começa a ouvir “toc toc” do sapato da vizinha, barulho da válvula de descarga. O que ele faz? Ele tem consciência de seus direitos?

P –Mas a NBR 15.575 não veio para defender os direitos do consumidor?
R – Foi um grande passo. Vai ajudar a conscientizar as construtoras a terem mais responsabilidade. Não pensar só em dinheiro. Agora, está norma não fala só sobre acústica. Acústica é só um item. Mas deveria ser mais abrangente. Está sendo colocada apenas para edifícios de cinco pavimentos. Por que não todos?

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Novas regras da ABNT NBR-15575

Publicado em 24/10/2015 às 17h51

Em 19 de julho entrou em vigor a ABNT NBR 15575 – Edificações Habitacionais – Desempenho, depois de 13 anos de debates entre os participantes da cadeia da Construção Civil. O documento aborda seis sistemas, que tratam de requisitos gerais, estrutura, pisos, vedações verticais, cobertura e sistemas hidráulicos. E estabelece exigências de conforto térmico e acústico, proteção ao fogo, estanqueidade e ciclo de vida da edificação.

“A norma delimita a durabilidade do ‘bem mais durável da sociedade’, e que até então não era objeto nem dos códigos jurídicos nem dos manuais de engenharia ou arquitetura”, afirma Ercio Thomaz, pesquisador do Centro de Tecnologia do Ambiente Construído do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo, um dos autores do recém-lançado Guia Orientativo para Atendimento à Norma de Desempenho, da CBIC – Câmara Brasileira da Indústria da Construção.

Em primeiro lugar, muda o ‘prazo de validade da construção’, diz, explicando: “A norma determina que os projetos sejam desenvolvidos tendo em vista a potencial durabilidade de suas diferentes partes, como estrutura, cobertura, e pisos, entre outras. É a chamada vida útil de projeto – VUP. E apresenta como novidade, três diferentes níveis de desempenho: por exemplo, sua estrutura principal deve ser projetada e construída para atingir vida útil de 50 anos (Nível Mínimo), 63 anos (Nível Intermediário) ou 75 anos (Nível Superior)”, ensina.

Para atingir a durabilidade projetada, a edificação deverá ser bem construída, bem utilizada e bem mantida. Nesse último aspecto, lembra o pesquisador, a NBR 15575 dá ênfase à necessidade da adoção de processos eficientes de manutenção predial, tanto para as áreas privativas quanto para as áreas comuns dos edifícios habitacionais, reforçando exigências das recém-editadas normas de manutenção NBR 5674 (Gestão da Manutenção) e NBR 14037 (Manual de Uso, Operação e Manutenção). “Dessa forma, a norma interfere fortemente na cultura da construção, nas suas diversas vertentes, desde a concepção/projetos até seu uso e manutenção”, comenta.

Outras novidades que a norma introduz são as exigências ou recomendações relativas às dimensões mínimas dos cômodos, requisitos de iluminação natural, ventilação, segurança no uso e operação, funcionalidade e acessibilidade, conforto tátil e antropodinâmico.

Acústica

A norma determina que os projetos sejam desenvolvidos tendo em vista a potencial durabilidade de suas diferentes partes, como estrutura, cobertura, e pisos, entre outras. É a chamada vida útil de projeto – VUP

Apesar de divergências entre consultores, projetistas e construtores durante a sua revisão, a Norma de Desempenho manteve os requisitos da primeira versão relativos ao conforto acústico. São exigências voltadas aos três níveis de desempenho, indicando parâmetros que possam repercutir no atendimento às exigências de nível de pressão sonora em cada tipo de construção/tipo de ambiente. Ercio Thomaz reforça que “essas exigências aparecem em outra norma da ABNT, revisada e também publicada recentemente, a NBR 10152 – Acústica - Medição e avaliação de níveis de pressão sonora em ambientes internos às edificações”.

Segundo ele, a nova norma inseriu requisitos especiais de isolação acústica das paredes entre dormitórios de apartamentos contíguos, isolação acústica do conjunto sala de apartamento x hall de entrada x sala de outro apartamento, isolação acústica de entrepisos (som aéreo e ruído de impacto) e outros.

Segurança

De acordo com o pesquisador, a NBR 15575 não deverá influenciar os estados limites de segurança e estabilidade das edificações, já que as normas de concreto armado, aço e alvenaria estrutural são muito boas. “Todavia, estabelece diversas condições de utilização que não são contempladas nas normas anteriores, como resistência a impactos e solicitações transmitidas por cargas suspensas (paredes, forros), entre outras. Relativamente ao uso e operação, diversos critérios são estabelecidos visando a segurança dos usuários”, diz.

A boa notícia é que a nova norma reformou todo o conteúdo relativo à segurança contra incêndio, que ficou praticamente alinhado às normas internacionais mais avançadas. “São estabelecidas diversas exigências focando o tempo requerido de resistência ao fogo de elementos estruturais e de compartimentação (TRRF), e a reação ao fogo dos materiais e componentes (inflamabilidade, propagação de chamas, densidade óptica de fumaça). A norma estabelece ainda critérios importantíssimos para dificultar o princípio de incêndio e sua propagação, facilitar a fuga em situação de incêndio, especificar equipamentos de extinção, sinalização e iluminação de emergência”, explica Ercio Thomaz.

Do amplo rol de critérios de desempenho de segurança, ele destaca as exigências de reação ao fogo para fachadas e paredes internas; faces inferior e superior dos sistemas de pisos e de coberturas; e exigências particulares de resistência ao fogo para tetos e paredes em áreas da construção onde possam operar fogões e aquecedores a gás. “Constitui significativo avanço a introdução dos ensaios SBI – Standard Burning Item, para averiguar o desempenho de painéis tipo sanduíche, paredes ou tetos com múltiplas camadas. E também critérios para prumadas atravessando pavimentos; selagem corta-fogo em shafts; tubulações de materiais poliméricos; registros corta-fogo nas tubulações de ventilação; segurança em escadas e elevadores”, indica o pesquisador, ressaltando, no entanto, que “a norma não pode substituir códigos estaduais de incêndio, às vezes insuficientes ou ultrapassados, pois tais códigos são dispositivos legais, enquanto a norma pode apenas ter força de lei”.

Desafios

A norma 15575 induzirá significativo choque de cultura nos diversos segmentos da construção

Ercio Thomaz considera que os principais desafios impostos pela Norma de Desempenho à Construção Civil estão relacionados à isolação acústica de entrepisos; estanqueidade à água e isolação ao som aéreo de janelas; isolação acústica das portas de entrada dos apartamentos (há limitação da transmissão de som aéreo entre salas de apartamentos confluentes com o mesmo hall de entrada); exigência de maior durabilidade das estruturas, vedações e pisos, entre outras.

Segundo ele, a norma não exige qualquer tipo de selo ou aprovação prévia para os materiais e para a construção tradicional – aquela que conta com normas técnicas prescritivas específicas (telhas cerâmicas, estruturas de concreto armado, alvenarias etc). “Relativamente aos sistemas inovadores, para o financiamento de empreendimentos de interesse social a Caixa e algumas companhias públicas já vêm exigindo o Datec – Documento de Avaliação Técnica, no âmbito do SINAT - Sistema Nacional de Avaliações Técnicas de produtos inovadores, operado no âmbito do Ministério das Cidades”, informa.

Custos

Para Ercio não haverá aumento significativo de custos para projetos bem elaborados e obras bem construídas, em obediência inclusive às normas técnicas que já estavam vigentes. “Esquadrias de melhor qualidade, lajes um pouco mais espessas e/ou pisos flutuantes, além de outras melhorias necessárias, vão aumentar um pouco o investimento inicial. Considerando a relação custo-benefício, a maior durabilidade dos componentes e elementos da obra, e a potencial redução de custos com operação e manutenção dos imóveis, espera-se que o custo final da construção, ao longo de toda vida útil projetada, seja significativamente menor”, ressalta Ercio Thomaz, que conclui:

"A norma 15575 induzirá significativo ‘choque de cultura’ nos diversos segmentos da construção. Projetistas deverão estar muito mais preocupados com aspectos eminentemente técnicos dos projetos (durabilidade, segurança no uso e ocupação, manutenção etc). Fabricantes terão, obrigatoriamente, que caracterizar melhor seus produtos em relação ao desempenho acústico e vida útil, entre outros aspectos, substituindo panfletos publicitários por catálogos técnicos. Construtores estarão muito mais preocupados com o ruído de impacto transmitido por lajes, risco de formação de fissuras e outros. Incorporadores e companhias públicas de habitação contarão com balizamento técnico mais eficiente para os seus projetos. Consumidores, Ministério Público, peritos e assistentes técnicos estarão muito melhor aparelhados para analisar com maior justiça e menor empirismo/subjetividade as lides relativas à construção habitacional”.

Colaborou para esta matéria

Ercio Thomaz – Engenheiro civil e pesquisador do IPT, na área de Construção Civil, doutor pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP); professor das disciplinas “Patologias das Edificações”, “Alvenarias e Vedações Verticais”, “Qualidade das Construções”, “Materiais de Construção”, “Técnicas de Construção Civil” e “Elementos de Fachadas” no mestrado do IPT, Faculdade de Engenharia de Sorocaba, Universidade Mackenzie e Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP); professor convidado de YCON Formação Continuada, AEA – Academia de Engenharia e Arquitetura, IBAPE/SP e outros; primeiro coordenador da Comissão de Estudos ABNT da norma NBR 15.575 – Desempenho de Edificações (2004 a 2007); consultor em sistemas construtivos, alvenarias, fachadas, desempenho de edificações, patologias e recuperação de obras.
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Acústica Arquitetônica

Publicado em 24/10/2015 às 17h14

Desempenho acústico ganha atenção

Com a criação de nova norma técnica, o mercado vem oferecendo inúmeras alternativas para empreendimentos que querem reduzir a passagem de ruídos

 

A criação da norma de desempenho ABNT NBR 15575, em julho de 2013, ajudou a alavancar o mercado de acústica, obrigando investidores e construtoras a adotar materiais com bom desempenho em seus empreendimentos. “Ao final, todos saem ganhando: os usuários, que compram e habitam imóveis adequados; as construtoras e incorporadoras, que podem oferecer melhores produtos; e a indústria, que tem o desafio de inovar em materiais e soluções. Aos poucos, há um despertar para a ‘consciência acústica’, e a sociedade está procurando entender mais sobre o assunto”, avalia o arquiteto Fernando Neves Caffaro, coordenador de especificação técnica da Isover Brasil.

Para o engenheiro Davi Akkerman, presidente da ProAcústica – Associação Brasileira para a Qualidade Acústica –, a otimização e inovação de produtos para atender à nova norma podem ser vistas, principalmente, nos elementos de esquadrias que compõem os sistemas de vedações verticais externas e internas. O profissional destaca que, quando o assunto é a acústica, há necessidade de entender a diferença entre conforto e desempenho. “Não se fala em conforto acústico na indústria da construção civil, pois se criou um mito em torno dessa palavra. O que o setor procura é desempenho, e este sim é essencial e obrigatório, resultando, na maioria dos casos, em bom conforto acústico”, explica.

COMO OBTER DESEMPENHO ACÚSTICO

Para atingir o desempenho desejado, Akkerman recomenda mesclar soluções arquitetônicas com a utilização de produtos que visam proporcionar conforto acústico. Mesmo quando há desequilíbrio nessa equação, com as estratégias de projeto falhando, os materiais podem resolver o problema. “É perfeitamente possível realizar essa ‘intervenção acústica’ na fase de projeto. Por exemplo, existe um requisito mínimo de isolamento de vedações verticais internas para paredes geminadas de dormitórios de diferentes unidades, que é de 45 dB. Às vezes, o projeto arquitetônico prevê a alvenaria de blocos cerâmicos de 14 cm revestida de gesso dos dois lados e, no estudo de desempenho, essa tipologia não atende às condições necessárias. Então, o consultor de acústica dispõe das ferramentas necessárias para avaliar as opções viáveis, como o aumento da espessura, preenchimento ou mudanças no tipo de bloco, ou ainda, alterações no revestimento de acabamento”, detalha.

Aos poucos, há um despertar para a ‘consciência acústica’, e a sociedade está procurando entender mais sobre o assunto

Fernando Caffaro

Entretanto, resolver problemas de projeto com o uso de materiais nem sempre é fácil, conforme afirma Caffaro: “Dependendo do caso, não há 'remédio' que resolva. Se a solução não foi especificada na fase de projeto do edifício, será complexo e oneroso resolver, em ambientes residenciais já habitados, transtornos causados por ruídos de impacto, como caminhar de salto alto dentro do apartamento. Já quando a correção acústica é em sala de reunião, por exemplo, fica mais viável a aplicação de produtos acústicos, como forros e revestimentos de paredes”.

MATERIAIS CONTRA RUÍDOS

É grande a quantidade de produtos que colaboram com o bom desempenho acústico de uma edificação disponíveis no mercado. As opções passam por forros; painéis e mantas em lã de vidro para isolação dos sistemas de construção a seco, como drywall e steel frame; pisos flutuantes; painéis acabados para revestimentos de paredes; isolação para tubulações hidráulicas; entre outras. “Todos os elementos e/ou sistemas utilizados na construção civil têm suas características acústicas e, dependendo de sua espessura e revestimento de acabamento, podem ser úteis quanto ao desejado desempenho acústico. Entretanto, de maneira genérica, os elementos construtivos de maior densidade oferecem melhor performance”, informa Akkerman.

As soluções acústicas são indicadas para qualquer tipo de empreendimento, porém é importante que sejam feitas análises, como da região onde ele será construído e as características de ruídos do seu entorno. “Esta etapa é imprescindível para a definição e especificação dos produtos e sistemas que proporcionarão conforto acústico aos usuários”, indica Caffaro.

Estudo de grande importância é a chamada paisagem sonora, realizada no entorno do empreendimento de forma a classificar o terreno de acordo com as classes de ruídos definidas na parte 4 da ABNT NBR 15575. “Em seguida, é recomendável efetuar estudo do desempenho acústico das vedações verticais internas, dos pisos e cobertura. De preferência, com uso de softwares específicos”, recomenda Akkerman.

Não se fala em conforto acústico na indústria da construção civil, pois se criou um mito em torno dessa palavra. O que o setor procura é desempenho, e este sim é essencial e obrigatório

Davi Akkerman

O tipo de edificação e a maneira como será utilizada também interferem na especificação do tipo de material a ser instalado. “Para isolação de ruído de impacto de uma laje residencial, há um tipo de sistema que, por sua vez, terá especificações técnicas, particularidades e exigências diferentes das necessárias para um estúdio de som. Mas o objetivo é o mesmo, não deixar que ruídos sejam transmitidos de um ambiente para o outro. Muitas vezes, os produtos podem coincidir em diversos usos de edifícios”, fala Caffaro.

INSTALAÇÃO DO SISTEMA

A instalação é outro ponto que merece atenção e deve contar com mão de obra qualificada, para que a execução do sistema seja fiel ao que foi projetado.

“De modo geral, para as correções acústicas em ambientes existentes, a instalação é rápida e simples. Através de perfis metálicos nas paredes, é possível instalar, por exemplo, painéis em lã de vidro revestidos por tecidos, forros acústicos apoiados em perfis metálicos ou até mesmo aparafusados direto no teto", ressalta Caffaro.

O mercado disponibiliza diversas soluções que facilitam as aplicações, mas é sempre recomendável estudar cada caso, e a melhor opção acústica pode ser determinada com suporte de um projetista especializado. Caso contrário, há o risco de gastar dinheiro e não resolver o problema.

Vale lembrar que, para apresentar qualidade no desempenho, os produtos disponíveis no mercado devem ser aplicados de acordo com a orientação do fabricante e respeitando o projeto. “Em geral, os sistemas comercializados no Brasil têm boas condições de desempenho acústico, desde que não sejam aqueles de segunda ou terceira linha”, finaliza Akkerman.

 

Colaboraram para esta matéria

Davi Akkerman – engenheiro civil formado pela Universidade Mackenzie, com mestrado pelo Institute of Soundand Vibration Research, de Southampton (Grã-Bretanha). Tem especialização em Controle de Ruído Industrial pelo IPT. É membro eleito do Institute of Accoustic (Grã-Bretanha) e diretor da Harmonia Davi Akkerman + Holtz, escritório de consultoria e projetos acústicos. Exerce seu segundo mandato como presidente da ProAcústica – Associação Brasileira para a Qualidade Acústica.
Fernando Neves Caffaro – arquiteto e urbanista pela FAAM (FMU) e especialista em Conforto Ambiental e Conservação de Energia pela Fundação para a Pesquisa Ambienta (FUPAM), ligada à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP). É coordenador de Especificação Técnica Isover Brasil, atuando na área de conforto acústico há 14 anos. Ocupa o cargo de diretor de Relações com o Mercado da ProAcústica.
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